sábado, 28 de janeiro de 2017

Mais um texto autoral

Experiência – 05/01/2017
A ansiedade que transbordou outrora
Hoje já não encontra seu lugar
Nem mesmo a sedução ilusória
Aquela de ideais sem par
Sem pés, sem objetivo
Não encontra em mim um nativo
A serenidade que me vem agora
Cuja sombra não havia outrora
Me vem de um saber sem retórica
Nasceu de pilares fundos na memória
No peito, na alma, na calma
Foi o tempo materializado, quiçá
Foram os experimentos na pele
Que nada tiverem de leve
Ou crer que Deus não dará
E, elevando-me à paz que me perpassa
Respirando o prana da maré baixa
De uma praia sublime sem ressaca
Vou guardando as coisas em caixas
Fazendo as malas
Ganhando asas
Mudando de casa

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Mulher de Terra

Antes de terminar 2015, deixei este texto. Este texto foi a tentativa de fazer um retrato-poema da minha amada Fabrícia.


Ei-la paciente, ei-la toda quieta
Passo a passo, sobre a reta
No silêncio, imóvel
Jeito raro, insólito

Lentamente, caminha
Firmemente, decidida
Pés no chão, desde menina
E muito prática, aguerrida

Seus toques germinantes
Florescem paixões errantes
Desejos nascem e circulam
Do caule à folha e exalam
Olores de origem profunda
Do fundo de sua alma

Seu corpo terno absorve
O calor do dia torpe
Que aquece, consome e castiga...
...um semiárido de intrigas

Seu corpo terno absorve
Sorve, suga, prende e sofre
Cada respingo e gota caída
Das tempestades que batiam
Que baterão e que batem...
... são as chuvas que judiam

Seu espírito cálido fertiliza
Tudo o que dele emana
Oh! Fonte de vida
Oh! Fonte de prana

No seu espírito cálido,
As amizades se enraízam
E ficam, e ficam, e ficam...

Com seu espírito cálido,
O barro se transforma
Continuamente se transforma
Suor, sangue e serão
Para semear seu amanhã

Ei-la aqui, Ei-la agora
Imóvel, quieta
Calor lá fora
Nuvens densas duelam
Amigos se apoiam
Suor semeia
Prana fertiliza
E a paixão exala
Sobre ela, 
Sobre mim
E sobre a terra.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Amanhã, quiçá

Mais um texto autoral

...e cada noite adentro, morre
Para, logo depois, retornar
É assim antes do dia primeiro
Ou quando o domingo faz esvanecer
Até este dom tem dezembro
E o por vir a se erguer

Um triunfo pousa no lar
Não...espera... é coisa boba
Deixa pra lá
E só o esmo a farfalhar
Hoje é véspera
Amanhã, quiçá

O entoar enfadonho do tic
Letárgico e eterno
O passar preguiçoso do tac
Nostálgico e materno

Isso tudo em um mundo
Muito bem delimitado
Ontem, na cerca do fundo
Futuro, neste lado do quadrado

O por vir e o por fazer se agigantam
As dores, as de sempre, acorrentam
Tudo isso, tudo isso
a cada noite adentro, morre
Para, logo depois, retornar
Hoje é véspera
É antes do dia primeiro
Amanhã, domingo fará tudo esvanecer
Ou não o fará
Amanhã, quiçá
Talvez seja janeiro
E mesmo com o dom de dezembro
O por vir se erguerá

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Vida alienada na terra "amada"

Mais um texto autoral:

Entro no carro, passo o cinto
Sento e ali mesmo eu fico
Por horas e horas a fio
Até chegar no meu destino, enfim

Me sento novamente
De fronte ao mundo, sem espelho
Fazendo, fazendo, fazendo
Até o soar do partir novamente

Então, no carro, passo de novo o cinto
Sento e ali mesmo fico
Por horas e horas a fio
Até chegar no meu destino, enfim

Me sento novamente
Agora sou aprendiz, inexperiente
Escuto e escuto pacientemente
Até o findar deste expediente

Então, no carro, passo o cinto novamente
Sento e ali mesmo fico
Por horas e horas a fio
Até chegar no meu destino, enfim

Me deito, finalmente
Mas não sem antes dar boa noite
À minha saudade distante,
Com um beijo sincero
Que me responde o boa noite
Com outro beijo sincero,
À minha agonia presente
Aos meus anseios crescentes
Aos meus santos ausentes
E a esta vida alienada
Vivida aos trancos nesta terra “amada”

segunda-feira, 9 de março de 2015

Quando chegasse aos trinta

Quando chegasse aos trinta


Quando chegasse aos trinta
Teria dominado meus medos
Poderia ter vivido tudo e ainda
Faria de tudo um recomeço

Quando chegasse aos trinta
Teria meu primeiro milhão
Poderia de ouro pintar a vida
Faria do meu lar o avião

Quando chegasse aos trinta
Teria casa e até uma filha
Poderia amar sem qualquer sina
Faria meu porto seguro, minha ilha

Quando chegasse aos trinta
Seria feliz como em uma mentira
Falso e idílico, isso eu seria
Um verdadeiro comercial de margarina

Então, cheguei aos trinta
E minha vida não é essa mistura
De romance, publicidade e clichê
Ela é assim, por ventura,

Real como a que vive você.

Começada em Castelraimondo, 12 de fevereiro de 2015, na varanda da foto abaixo,
e terminada em Roma, 15 de fevereiro de 2015.

domingo, 8 de março de 2015

Considero valore - Una versione della poesia di Erri De Luca

Questa è la mia prima avventura poetica nella lingua italiana. Credo che ho un lungo percorso per riuscire a scrivere bravi testi in italiano, però questa versione è il primo passo di uno studente che ama questa lingua.

CONSIDERO VALORE

Considero valore assaggiare ogni piccola opportunità di stare insieme ai amici.

Considero valore il fiato lasciato sul percorso della lotta quotidiana, il respiro nel silenzio della pace prima di dormire.

Considero valore il sorriso che scappa dalla logica, la felicità da trovare in ogni porta.

Considero valore trasformare il rimpianto in lezione, le lacrime in un azzurro cielo di festa.

Considero valore imparare quello che non si insegna, vedere gioia nelle cose che non se comprano.

Considero valore cercare e non trovare il vero senso della vita o la ragione per cui certe cose succedono come succedono.

Considero valore scoprire che il vero mistero non resta fuori, ma, anzi, rimane nel nostro interno.

Considero valore tutto questo che ho detto, ma che non faccio spesso.

Ecco il link per la poesia originale: https://www.youtube.com/watch?v=XmFMwsDt8EE 

domingo, 27 de julho de 2014

Marés

Vezes há em que o mar
Junto à rocha vem
Seu branco nela roçar
Molhando carinhos como ninguém.

Vezes há em que o mar
À luz da lua reluz
Espelho negro singular
Que ondulando calmo seduz.

E às vezes o mar
Revolto, salga seu ar
Com golpes e torturas
E sobre as pedras nuas
Castiga esculturas.

E às vezes, só o olhar o alcança
De repente, sobre seus pés ele avança

Conjugando calmaria e inquietude
Silêncio e perturbações
Experiência e juventude
Amor e paixões
O mar flui por esse mundo
Com suas marés de imperfeições.